A Terapia Ocupacional junto ao idoso

A atuação da Terapia Ocupacional junto ao idoso

A Terapia Ocupacional (TO) tem um papel fundamental no processo de cura junto às pessoas que apresentem disfunções físicas, sensoriais e/ou mentais, bem como dificuldade de adaptação ao meio em decorrência dessas disfunções ou de outros processos que venham a desencadear prejuízos à saúde biopsicossocial do indivíduo e da sociedade em que está circunscrito.

O que é Terapia Ocupacional?

A Terapia Ocupacional é caracterizada como a profissão da área de saúde que promove o desenvolvimento, tratamento e a reabilitação de indivíduos ou grupos que necessitem de cuidados físicos, sensoriais, psicológicos e/ou sociais, de modo a ampliar seu desempenho e participação social, através de instrumentos que envolvam a atividade humana em um processo dinâmico relacional entre esta e a pessoa do paciente e a do terapeuta. Para isto o terapeuta ocupacional lançará mão, em diferentes situações, do uso específico de atividades expressivas, lúdicas, artesanais, da vida diária e de auto-manutenção, psicopedagógicos, profissionalizantes, entre outras, previamente analisadas e avaliadas, sob os aspectos anatomofisiológicos, cinesiológicos, psicológicos, sociais, culturais e econômicos.

O terapeuta ocupacional, sempre que necessário, trabalha em estreita cooperação com outros profissionais e atua ainda nas áreas de pesquisa científica, educacional e administrativa.

As qualidades curativas do trabalho, dos exercícios e dos jogos, expedientes comuns à Terapia Ocupacional, são reconhecidas e utilizadas há milhares de anos. Os povos antigos inter-relacionavam essas três atividades para o tratamento do corpo e da alma.

(foto: momento de descontração após Dança Senior)

Atuação da Terapia Ocupacional Geronto-Geriátrica

De um modo geral, é função do terapeuta ocupacional restabelecer as perdas físicas, mentais e sociais, que causam desajuste no idoso.

Na atuação com o idoso, a terapia ocupacional age como um facilitador que capacita o mesmo a fazer o melhor uso possível das capacidades remanescentes, a tomar suas próprias decisões e lhe assegurar uma conscientização de alternativas realísticas.

Basicamente, procura-se que o idoso tenha um desempenho mais independente possível, enfatizando as áreas de autocuidado, do trabalho remunerado ou não, do lazer, da manutenção de seus direitos e papéis sociais.

A Terapia Ocupacional utiliza instrumentos de avaliação funcional, das estruturas mentais, emocionais e sociais, e avalia principalmente o desempenho das Atividades da Vida Diária, pois são os principais indicadores da autonomia do idoso.

A avaliação do idoso em terapia ocupacional é determinada pela estimativa de sua força e debilidade, pelo reconhecimento de potencialidades remanescentes e de possibilidades reais de desempenho das atividades cotidianas. Para tanto deve-se analisar o que o paciente fazia antes de sua enfermidade e/ou estado atual e o impedimento entre ambos. Avalia-se também o estado biológico (força, tônus muscular, amplitude articular, etc.), o estado psicológico (memória, estado de ânimo, capacidade de aprendizagem, etc.), o estado social (incluindo a capacidade dos que o ajudam: familiares, amigos, voluntários) e o ambiente físico (barreiras arquitetônicas e possibilidades ambientais) na perspectiva de segurança do idoso no seu lar. Todos estes fatores devem ser analisados e adaptados para obter-se o máximo aproveitamento das condições, tendo-se em conta as limitações funcionais do paciente.

A capacidade física dos idosos está limitada por alguns fatores fisiológicos: diminuição da potência muscular, fragilidade óssea, artrites e perda da elasticidade do tecido conjuntivo.

Os idosos mostram-se ansiosos quanto à sua segurança, à sua saúde, às relações familiares e cansam-se mais facilmente a medida que a idade aumenta. Não aprendem tão rapidamente nem retém as informações recebidas como as pessoas jovens, portanto em terapia ocupacional os cuidados devem ser direcionados para estas características peculiares dos idosos.

(foto: dançando marchinhas de Carnaval)

Objetivos gerais da Terapia Ocupacional em Geriatria e Gerontologia

  1. Integrar a pessoa em idade avançada à sua própria comunidade, tornando-a o mais independente possível e em contato com pessoas de todas as idades, promovendo relações interpessoais.
  2. Incentivar, encorajar e estimular o idoso a continuar fazendo planos, ter ambições e aspirações.
  3. Contribuir para o ajustamento psico-emocional do idoso e sua expressão social.
  4. Manter o nível de atividade, alterando o ambiente se necessário.
  5. Enfatizar os aspectos preventivos do envelhecimento prematuro e de promoção de saúde.
  6. Reabilitação do idoso com incapacidade física e/ou mental.

Tais objetivos estão na dependência do estado de saúde do indivíduo, do seu grau de independência nas atividades da vida diária (AVD) e no seu grau de interesse e participação.

Locais de atuação da TO Geronto-Geriátrica

– Centros de Convivência, Centros-Dia, Hospitais-Dia, visando a melhoria na qualidade de vida através da socialização, organização da rotina, recreação e lazer

– Ambulatórios, Hospitais, Centros de Especialidades Médicas, através da prevenção de agravos, decorrentes da não orientação ao paciente idoso e/ou familiares, e a reabilitação física e mental devido à degeneração ocasionada por patologias crônicas.

– Atendimentos Domiciliares, desenvolvendo adaptações ambientais (segurança do lar), treinos e orientações específicas para familiares e/ou cuidadores, e serviços especializados para atender à várias patologias (físicas e/ou mentais) que acometem os idosos, como: sequelas de acidente vascular cerebral, mal de Parkinson, vários tipos de demências incluindo principalmente a Doença de Alzheimer, Depressão, Artrite Reumatoide, Doenças Cardiovasculares, Musculares e Respiratórias, entre outras.

– Instituições Asilares, Abrigos e Casas de Repouso, realizando uma atenção dirigida para a integração social do idoso institucionalizado, bem como a prevenção de degeneração física, mental e social ocasionada, na maioria das vezes, pôr um longo período de asilamento.

(foto: cantando Jovem Guarda)

Referências:

  • Textos extraídos do Boletim do CRE – Ano VII – n.2 http://www.terapiaocupacional.com.br/Geriatria.htm
  • Fotos das atividades de Terapia Ocupacional realizadas no Koru Centro-Dia pela terapeuta Priscila Narimoto Shimizu