5 coisas que você precisa saber antes de escolher um lugar para deixar seu familiar idoso

1- Qual é a hora certa de procurar um lugar para deixar o idoso de sua família?

Geralmente o familiar se dá conta de que o idoso necessita de maior atenção quando ocorre um evento adverso, muitas vezes evitável, como uma queda com graves consequências, entre outros. O familiar nesse momento pensa: “Ele não pode mais ficar sozinho e eu, tenho que trabalhar. Chegou a hora de procurar um lugar para ele ficar”.
Mas essa é também uma tarefa difícil: o quê e onde pesquisar, telefonar, visitar, escolher. São serviços que devem transmitir confiança e acolhida. E o familiar se sente cansado e também culpado por necessitar transferir o cuidado do familiar idoso a terceiros.
Não existe um momento certo, mas sim, compreender que o envelhecimento é um processo natural, inevitável e acompanhado de declínio funcional. Embora com características variáveis entre as pessoas, o declínio ocorrerá para todos e desacelerar esse decréscimo é possível com atividades voltadas à prevenção e reabilitação.

É necessário analisar com cuidado se o idoso tem perfil para estar em casa com o cuidador formal, se necessita dos cuidados complexos de uma ILPI (Instituição de Longa Permanência) ou dos cuidados ofertados no centro-dia.

2- O que deve ser levado em conta antes de optar pelo local?

Em primeiro lugar, a autonomia e independência do idoso devem ser respeitadas. Por isso, uma conversa franca e objetiva, mas repleta de carinho, é salutar a todos os envolvidos (já abordamos esse tema “como falar com o familiar idoso”, neste link: http://www.korucentrodia.com.br/sem-categoria/porque-e-como-falar-com-seu-familiar-idoso-sobre-o-centro-dia/).

Depois, uma pesquisa sobre a localização do imóvel, acessibilidade, condições de higiene (sobretudo em banheiros e cozinha), relação custo x benefício e profissionais que atuam no local, irão embasar sua decisão. Também contate outras pessoas que já passaram pela situação. Elas poderão lhe trazer um cenário bem próximo do real.

3- Por que é fundamental que o idoso participe do processo de escolha?

Em qualquer uma das três situações mencionadas acima, o idoso terá que passar por uma fase de adaptação.

No caso da convivência com o cuidador formal, a rotina e a intimidade da família já não serão as mesmas. O familiar continua sendo o gerenciador do cuidado, mesmo que não seja mais o executor. Terá que se preocupar com a alimentação e acompanhar as ações do cuidador.

Em caso de institucionalização, a questão principal é com o rompimento dos vínculos familiares. O idoso passa a conviver com pessoas estranhas o tempo todo e o contato com a família se torna fugaz.

Já no centro-dia, o idoso é estimulado na realização de atividades e recebe cuidados sem perder o vínculo, pois à noite e aos finais de semana estará com a família convivendo como sempre, compartilhando suas vivências ao longo do dia.

É necessário ter em mente que em algum momento desse processo de envelhecimento com declínio funcional poderá surgir a necessidade de deixar o idoso numa casa de repouso ou em casa com o cuidador.

As três modalidades de cuidado são importantes e necessárias, não são conflitantes porque atendem a momentos diferentes no processo, que é dinâmico. A atenção, como já dito acima, deve estar no “perfil” do idoso, ou seja, observar qual modalidade lhe dá qualidade de vida e traz momentos de alegria naquela fase em que se encontra.

Por serem locais novos e estranhos ao idoso, cuja referência está em seu lar e parte de sua identidade estarem em sua família e comunidade, a escolha de um local deve advir de um diálogo entre todos os envolvidos.

4- Por que a escolha de um local e não de um cuidador formal para ficar no domicílio?

O cuidador deve ser capacitado para prestar um serviço amoroso, mas também responsável. Entretanto, cabe lembrar que o cuidador estará focado no cuidado em si, nem sempre tendo tempo e disposição para ofertar atividades cognitivas e físicas que estimulem o idoso. Quando o familiar contrata profissionais autônomos, além de gerenciar o cuidador, acaba por ter que gerenciar estes também, aumentando o nível de estresse pelo acúmulo de funções. Além disso, há questões financeiras e legais importantes a serem observadas e os custos tornam-se altos.

5- Como perceber se o idoso está adaptado ao local?

O familiar deve observar se as boas práticas exercidas no local estão produzindo benefícios físicos, psicológicos, mentais, cognitivos e sociais. Podem surgir mudanças repentinas de comportamento e isso também deve ser observado, pois pode ser uma doença se instalando ou até mesmo uma reação de insatisfação do idoso em relação ao local ou profissional da casa.

É necessário que você acompanhe esse processo de adaptação de perto e esteja atento as informações passadas pela equipe, pois ajustes e mudanças podem ser necessárias para garantir o bem estar do idoso.

Texto: Marilia Sanches – Terapeuta Ocupacional